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Trabalhando pelo mundo #1 — Porto: a mudança que nunca aconteceu

Contratado via LinkedIn por uma consultoria portuguesa para atuar na Farfetch, no Porto, em regime de recibos verdes. Cluster de Search, C# .NET, Elasticsearch, Kafka e Cassandra. Seis meses depois pedi demissão — sem nunca ter pisado em Portugal.

05 de agosto de 2026 · Atualizado em 18 de setembro de 2026 · ~30 min de leitura · #trabalho-no-exterior #portugal #porto · · PT-BR
Trabalhando pelo mundo #1 — Porto: a mudança que nunca aconteceu
Trabalhando pelo mundo Parte 1 de 3

Em dezembro de 2020 eu assinei contrato para trabalhar no Porto. Em maio de 2021 eu pedi demissão. Entre uma coisa e outra, nunca peguei o avião — e esse é justamente o motivo pelo qual esse post abre a série.

Essa é a primeira parte de uma série de três textos sobre os lugares onde trabalhei mudando de país: Porto, Dubai e Dublin. Comecei pelo Porto porque ele é o capítulo mais atípico dos três: foi o único em que a mudança física simplesmente não aconteceu. O contrato existiu, o trabalho existiu, o salário caiu na conta por seis meses — só a casa em Portugal que não.

No papel, inclusive, o modelo era híbrido: eu deveria estar no escritório do Porto alguns dias por semana. Na prática, os seis meses inteiros foram remotos, de São Paulo.

O que você vai encontrar aqui
Como foi o processo seletivo via LinkedIn, o que significa ser contratado por recibos verdes, como funciona o modelo consultoria/cliente em Portugal, e o que a squad de Search da Farfetch fazia no dia a dia.
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01

De onde eu vinha

Antes do Porto eu estava no Banco BS2, contratado via K2 Partnering — ou seja, o modelo consultoria não era novidade para mim. Entrei em julho de 2019, na tribo de B2B, na squad de API Banking: desenvolvimento do produto de banking as a service do banco (devs.bs2.com), incluindo o projeto de open banking, com APIs e serviços em C# .NET Core, Dapper, Entity Framework e DDD, sistemas distribuídos em RabbitMQ, deploy em Docker, e cerimônias ágeis sobre Team Foundation Server.

Em março de 2020 passei para o time de projetos especiais, sediado em Belo Horizonte, já dentro da divisão de serviços financeiros do banco. Cheguei a embarcar de fato: desci em Confins numa segunda-feira, 16 de março, larguei as malas num AirBnB e fui direto para o escritório — e na quinta-feira, dia 19, já estava de volta em São Paulo, depois de dois dias de escritório, quando a quarentena fechou tudo. A mudança nunca mais foi retomada. O time inteiro foi para o remoto e, desse jeito, meio no improviso, nós implementamos o SPI/PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. O escopo incluía mensageria ISO 20022 — ADMI (administração), CAMT (gestão de caixa), PACS (compensação e liquidação de pagamentos) e REDA (dados de referência) —, a arquitetura das soluções de PIX Direto e PIX Indireto dentro do BS2, e o sistema de contabilização dos parceiros de PIX Indireto, além de suporte direto a clientes internos no processo de integração. A stack seguia em C# .NET Core, Dapper, Entity Framework e DDD, com sistemas distribuídos em RabbitMQ, deploy em Docker e as mesmas cerimônias de Scrum/Kanban — agora sobre Azure DevOps. Foi um período corrido: o Banco Central com prazo fechado, o país inteiro esperando, e um time distribuído construindo integração de pagamento instantâneo de dentro de casa.

Esse projeto rendeu uma série própria, Desenvolvendo o PIX — os bastidores do prazo do Banco Central, a anatomia do contrato e a arquitetura vista por dentro. Aqui ele entra só como ponto de partida: era o lugar de onde eu estava saindo quando o Porto apareceu.

Tem uma simetria meio absurda nessa história que eu só fui perceber muito depois. Em 2020 eu me mudei para Belo Horizonte numa segunda-feira e voltei na quinta, porque a pandemia fechou tudo. Em 2021 eu não me mudei para o Porto — também porque a pandemia fechou tudo. Duas mudanças de endereço engolidas pelo mesmo evento, com resultados opostos: uma virou remoto, a outra virou demissão.

Quando a recrutadora da Multivision me chamou, eu estava num lugar confortável: PJ, ganhando o equivalente a um sênior de São Paulo, remoto, num projeto que tinha acabado de entregar algo relevante. E ainda assim, no horizonte, existia a possibilidade de a mudança para Belo Horizonte voltar à pauta quando as coisas normalizassem.

Se era para mudar de cidade de qualquer forma, eu preferia mudar de continente. Morar e trabalhar na Europa sempre foi o plano — nunca foi uma ideia que surgiu com a vaga. A vaga só apareceu na hora em que o plano finalmente ficou viável.

Vale lembrar do momento: fim de 2020. Pandemia em curso, mercado de tecnologia acelerando a contratação remota e uma janela rara em que empresas europeias passaram a considerar candidatos que ainda estavam do outro lado do Atlântico. Foi exatamente essa janela que abriu a porta do Porto.

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02

O processo seletivo

Como nos outros dois países da série, tudo começou no LinkedIn. Em 3 de novembro de 2020, uma recrutadora da Multivision — consultoria de tecnologia portuguesa — me mandou uma mensagem procurando um .NET Engineer com conhecimento em Kafka e Elasticsearch para um cliente no Porto. A recrutadora não era da Farfetch, e isso muda a natureza do processo: você passa por duas avaliações em sequência, uma da consultoria e outra do cliente onde vai ficar alocado.

A primeira call foi no dia seguinte, por Zoom. Ela apresentou a Multivision, apresentou a Farfetch — que eu já conhecia, por sinal, porque minha namorada na época queria uma bolsa do site — e explicou o projeto. Deixou claro desde o começo que o vínculo podia ser contrato ou recibos verdes, e perguntou se eu entendia a diferença entre os dois. No fim, a pergunta inevitável: pretensão salarial.

A negociação

Eu respondi um valor deliberadamente alto — o padrão que eu vinha pesquisando para Alemanha e Irlanda, que eram os países onde eu já vinha me candidatando. Ela não recusou nem aceitou: disse qual era o valor que ela tinha em mãos e perguntou se eu toparia.

Levei um ou dois dias para responder. Não foi jogo de negociação — foi eu montando planilha e pesquisando quanto custa viver no Porto para saber se aquele número fechava a conta. Fechava. Confirmei.

Pretensão salarial em processo internacional
Pedir alto e depois fazer a conta com calma foi a melhor decisão desse processo. O número que você pede ancora a negociação inteira, e você sempre pode dizer sim depois. O que você não consegue é subir depois de ter falado baixo. E "viável" não é o número da proposta — é o número da proposta menos aluguel, impostos e custo de vida naquela cidade específica.

O valor combinado ficou em 180 € por dia + IVA, em recibos verdes, considerando 21 dias úteis por mês.

As etapas

DataEtapa
03/11/2020Primeiro contato da recrutadora no LinkedIn
04/11/2020Call de apresentação (Zoom), negociação de valor e envio do CV
06/11/2020Retorno: o cliente quer conversar
12/11/2020Entrevista técnica com a Farfetch — 15h de Lisboa, por BlueJeans
13/11/2020Aprovado para a fase final
17/11/2020Entrevista com o líder técnico — 10h30 de Lisboa, 07h30 no Brasil
17/11/2020Proposta, por telefone, na mesma noite

Quatorze dias do primeiro “olá” à proposta. Não houve teste técnico, take-home nem live coding em nenhuma etapa — só conversa.

A entrevista técnica

A apresentação inicial foi em inglês; o resto correu em português. Os temas foram exatamente os que você esperaria de uma squad de busca:

Elasticsearch a fundo
O que é um node, analisadores, shards e réplicas.
Kafka
Segundo pilar da vaga, cobrado com o mesmo peso.
C# e fundamentos
Trajetória com .NET e a diferença entre SOAP e REST.
Selenium
Testes automatizados entraram na conversa.

A segunda entrevista, com o líder técnico, foi bem mais interpessoal do que técnica. É um padrão que eu veria se repetir nos processos seguintes: a última conversa raramente é sobre código — é sobre se você funciona dentro daquele time.

Na véspera da entrevista técnica, a recrutadora me mandou a lista dos assuntos que seriam cobrados. Literalmente os tópicos, um a um. Isso não é subversão do processo: consultoria só ganha quando o candidato passa, então o interesse dela era exatamente o mesmo que o meu. É uma das grandes vantagens de entrar por intermediário — do outro lado da mesa tem alguém genuinamente torcendo por você e disposto a te preparar.

Eu retribuí do jeito que dava: mandei para ela dois repositórios que eu mantinha no GitHub para divulgação de vagas em Portugal, nos moldes do backend-br/vagas, para ajudar a encontrar outros candidatos.

Quando saiu o resultado, a frase dela foi que, em Portugal inteiro, não tinham encontrado ninguém melhor — e que havia várias pessoas do Brasil no mesmo processo. Passei o resto da noite rindo sozinho.

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03

Contratação, recibos verdes e burocracia

O modelo de contratação foi recibos verdes — o regime de trabalhador independente em Portugal, equivalente funcional do nosso PJ. Você não é empregado da empresa: você presta serviço, emite recibo pelo Portal das Finanças e é responsável pelos seus próprios impostos e contribuições.

Na prática isso significa:

ItemContrato CLT-equivalente (PT)Recibos verdes
Subsídio de férias e Natal✓✗
Férias pagas✓✗
Segurança Social paga pela empresa✓✗
Estabilidade / aviso prévio✓~
Flexibilidade e valor bruto maior~✓
Atenção se você for pesquisar isso hoje
As regras de recibos verdes — isenção inicial de contribuições à Segurança Social, escalões de IRS, obrigatoriedade de IVA — mudaram várias vezes desde 2020. Trate os números deste post como contexto histórico e confirme sempre no Portal das Finanças e na Segurança Social antes de decidir qualquer coisa.

A papelada que eu consegui fazer

Com a fronteira fechada, tudo o que dava para adiantar foi feito remotamente, do Brasil. O primeiro passo foi o NIF — o Número de Identificação Fiscal português, equivalente ao nosso CPF e pré-requisito para absolutamente qualquer coisa em Portugal: abrir atividade, emitir recibo, assinar contrato de aluguel, abrir conta em banco.

No começo de dezembro veio a lista de documentos para iniciar o contrato, e ela expôs o abismo de vocabulário entre os dois países. Certificado de habilitações é o diploma. Comprovativo de IBAN é o comprovante de conta bancária. Eu emperrei nos dois: não tinha diploma, e minha conta internacional só operava em dólar.

Os dois se resolveram sem drama. O diploma acabou não sendo exigido naquele momento. Já a conta eu precisei abrir: uma conta no Millennium BCP, aberta ainda do Brasil entre dezembro e janeiro, com a papelada facilitada pela Multivision e pela Ei! Assessoria Migratória, a agência que intermediava o visto. Era nela que o pagamento caía, em euros. Dali o dinheiro seguia por um de dois caminhos: transferência com conversão para a minha conta em dólar no BS2, para receber no Brasil, ou compra de criptomoeda (USDT/BUSD) na Binance com saque para uma conta em reais.

O faturamento saía pelos recibos verdes, não por CNPJ brasileiro — a abertura de atividade nas Finanças só ficou registrada em 2 de fevereiro de 2021, dois meses depois de eu ter começado. E, como eu estava temporariamente remoto no Brasil — a ideia sempre foi que a mudança ia acontecer —, precisei preencher o Mod. 22-RFI, o formulário que aciona a convenção entre Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação, para ser tributado apenas em Portugal.

Pequeno glossário para brasileiro
NIF = CPF · Contabilista = contador · Recibos verdes = PJ/autônomo · Certificado de habilitações = diploma · Comprovativo de IBAN = comprovante bancário · Morada = endereço · Arrendamento = aluguel · Finanças = Receita Federal · Segurança Social = INSS. Parece bobagem, mas nos primeiros meses metade do esforço é decodificar vocabulário.

O visto: Tech Visa

O caminho previsto era o Tech Visa, o programa português criado para facilitar a contratação de profissionais qualificados de fora da União Europeia por empresas certificadas. O requisito que me foi comunicado era comprovar mais de quatro anos de experiência em TI.

Isso também rendeu uma discussão curiosa: como comprovar? No Brasil a resposta óbvia é a carteira de trabalho — documento que simplesmente não existe no vocabulário português e que eu precisei explicar do zero. Eu tinha oito anos registrados em carteira e mais dois como PJ, comprováveis por contrato e notas fiscais. Serviria.

Na época eu não tinha passaporte português. Hoje eu tenho, por descendência — mas isso veio bem depois e não teve nenhuma relação com esse trabalho. Ali eu era um brasileiro comum dependendo de visto, com consulados operando em ritmo de pandemia.

Antes de usar isso como referência
As regras do Tech Visa, dos escalões de IRS e das contribuições em recibos verdes mudaram várias vezes desde 2020 — e o próprio regime fiscal para estrangeiros em Portugal passou por reformulações grandes depois disso. Trate os números e procedimentos deste post como registro histórico e confirme sempre nas fontes oficiais.

E teve um personagem que não existe no vocabulário brasileiro do mesmo jeito: o contabilista. Em Portugal, quem trabalha por recibos verdes praticamente não sobrevive sem um — é ele quem cuida da abertura de atividade, das declarações e do calendário de obrigações.

Quem me convenceu disso não foi um contabilista — foi a própria Ei! Assessoria Migratória, ainda no fim de 2019. A agência mandou um documento que abria com um aviso em negrito: ela não tinha habilitação para falar de impostos, só de legalização de cidadãos de fora da União Europeia, e o que vinha a seguir tinha sido escrito por uma contabilidade parceira, “para evitar coimas (multas) a consultores que não se informaram antecipadamente”. O resumo do que valia na época para quem abre atividade como prestador de serviços:

ObrigaçãoRegra em 2019/2020
IVADeclaração trimestral a partir de 10.000 € de faturação anual, com prazos em 15 de maio, agosto, novembro e fevereiro — e quem está no regime de IVA entrega a declaração mesmo sem recibo emitido, "a zeros"
Segurança SocialIsenção de contribuição nos primeiros 12 meses de atividade; depois, declaração trimestral até o último dia de abril, julho, outubro e janeiro
IRSRetenção na fonte nos recibos verdes a partir de 10.000 € de rendimentos
CessaçãoEncerrar a atividade nas Finanças não avisa a Segurança Social — sem entregar a cessação lá também, a contribuição mínima continua a ser cobrada todo mês

Com 3.600 € por mês, o limiar dos 10.000 € ficava para trás no terceiro mês, e os recibos saíam com IVA a 23%. E o pacote do contabilista indicado pela agência dava a dimensão do custo de manter tudo isso em dia: consulta inicial a 40 € + IVA, pacote trimestral de recibos, IVA e Segurança Social a 100 € + IVA, e a declaração de IRS a 85 € + IVA.

Como era o recibo na prática

LinhaValor
Serviços de consultoria — 20 dias3.600,00 €
Despesas0,00 €
Valor base3.600,00 €
Valor base com IVA (23%)4.428,00 €

Contrato ou recibos verdes, com as tabelas de 2026

O recibo acima é de 2021, e as regras mudaram desde então. Para refazer a conta com os números de hoje — a pergunta que a recrutadora me fez na primeira call —, a calculadora abaixo põe os dois vínculos lado a lado: o contrato de trabalho, com os catorze pagamentos, a Segurança Social a 11% e o IRS por escalões; e os recibos verdes, com a Segurança Social a 21,4% sobre 70% do faturado, o IRS do regime simplificado — coeficiente, regra dos 15%, o desconto nos dois primeiros anos de atividade — e o contabilista. Ela diz quanto é preciso faturar para empatar com um contrato, e quanto a empresa paga em cada caso, que é a parte que ninguém conta na entrevista.

ano fiscal 2026 · tabelas atualizadas em 18/09/2026

Calculadora: contrato × recibos verdes em Portugal

O mesmo trabalho, dois vínculos. De um lado o contrato de trabalho, com Segurança Social a 11% e IRS sobre catorze pagamentos; do outro os recibos verdes, com Segurança Social a 21,4% sobre 70% do faturado e IRS pelo regime simplificado. A calculadora mostra o líquido anual dos dois e quanto é preciso faturar para empatar.

Premissas e tabelas usadas

Tudo abaixo vem das tabelas oficiais de 2026, para um contribuinte sozinho, sem dependentes e residente em Portugal. Fora da conta: deduções à coleta (despesas gerais, saúde, educação, habitação), tributação conjunta, IRS Jovem, mínimo de existência, subsídio de alimentação, contabilidade organizada e o ajuste de ±25% na base da Segurança Social — quase tudo isso vale igual nos dois vínculos.

IRS — escalões (rendimento coletável anual)

FaixaTaxa
€ 0 – € 8.34212,5%
€ 8.342 – € 12.58715,7%
€ 12.587 – € 17.83821,2%
€ 17.838 – € 23.08924,1%
€ 23.089 – € 29.39731,1%
€ 29.397 – € 43.09034,9%
€ 43.090 – € 46.56643,1%
€ 46.566 – € 86.63444,6%
> € 86.63448%

IRS — taxa adicional de solidariedade

FaixaTaxa
€ 0 – € 80.0000%
€ 80.000 – € 250.0002,5%
> € 250.0005%

Contrato de trabalho

ItemValor
Pagamentos por ano14
Segurança Social do trabalhador11%
Segurança Social da empresa23,75%
Dedução específica (8,54 × IAS, ou as contribuições se maiores)€ 4.587,09
IAS€ 537,13

Recibos verdes

ItemValor
Segurança Social, sobre 70% do faturado21,4%
Teto do rendimento relevante mensal (12 × IAS)€ 6.445,56
Contribuição mínima mensal€ 20
Isenção: os primeiros doze meses de atividade
Coeficiente do regime simplificado (profissões da tabela do art. 151.º)0,75
Redução do coeficiente: 50% no 1º ano, 25% no 2º
Regra dos 15%: soma-se ao coletável o que faltar para 15% do bruto em despesas justificadas (a dedução específica ou a Segurança Social, se maior, mais o contabilista)
Dedução da Segurança Social acima de 10% do bruto
Retenção na fonte23%
Dispensa de retenção enquanto a previsão do ano fica abaixo de€ 15.000
IVA sobre o recibo23%
Isenção de IVA (art. 53.º) até€ 15.000

Fontes oficiais consultadas

  1. Portal das Finanças — CIRS, artigo 68.º (taxas gerais, redação da Lei n.º 73-A/2025) — The nine 2026 IRS brackets and rates (verificado em 18/09/2026)
  2. Portal das Finanças — CIRS, artigo 68.º-A (taxa adicional de solidariedade) — 2.5% between €80,000 and €250,000, 5% above (verificado em 18/09/2026)
  3. Portal das Finanças — CIRS, artigo 25.º (dedução específica da categoria A) — 8,54 × IAS, or the social contributions when higher (verificado em 18/09/2026)
  4. Portal das Finanças — CIRS, artigo 31.º (regime simplificado) — 0.75 coefficient, 50%/25% reductions in the first two years, the 15% expense rule, social contributions above 10% deductible (verificado em 18/09/2026)
  5. Portal das Finanças — CIRS, artigo 101.º (retenção na fonte) — 23% withholding on the art. 151.º professions (verificado em 18/09/2026)
  6. Portal das Finanças — CIVA, artigo 53.º (regime de isenção) — €15,000 turnover threshold, also the ceiling for waiving the IRS withholding (CIRS art. 101.º-B) (verificado em 18/09/2026)
  7. Diário da República — Portaria n.º 480-A/2025/1 (IAS 2026) — IAS of €537.13 from 1 January 2026 (verificado em 18/09/2026)
  8. Segurança Social — Trabalhadores por conta de outrem (taxas contributivas) — 11% worker and 23.75% employer, regime geral (verificado em 18/09/2026)
  9. Segurança Social — Trabalhadores independentes (remunerações e contribuições) — 21.4% on 70% of the services invoiced, 12 × IAS cap, €20 minimum, first twelve months exempt (verificado em 18/09/2026)
  10. DECO PROteste — Recibos verdes: obrigações para com a Segurança Social — Cross-check of the independent workers' rules with the 2026 IAS values (verificado em 18/09/2026)

Estimativa para comparar ordens de grandeza, não simulação oficial. O IRS é anual e acerta-se na declaração do ano seguinte; confirme com um contabilista antes de decidir qualquer coisa.

Quanto custaria morar no Porto

Enquanto a papelada corria, eu montei uma planilha de custo de vida. Não achei o arquivo original para este post, mas os números que ficaram na memória são estes:

ItemEstimativa mensal
Arrendamento — T0 ou T1500 a 700 €
Alimentação100 a 150 €
Água, luz, gás, telefone e internet~150 €
Lazer, viagens e miudezasreservado à parte
Base fixa estimada750 a 1.000 €
Decodificando os anúncios de imóvel em Portugal
T0 é estúdio ou kitnet. T1 tem um quarto, T2 dois, T3 três — o número indica quartos, não cômodos totais. Um "T2" português não é um "dois quartos" brasileiro por acaso: é exatamente isso, mas sem contar a sala.

A previsão de alimentação em 100 a 150 € parece baixa, e era proposital: como o modelo seria híbrido e eu iria pouco ao escritório, o plano era cozinhar quase tudo em casa e reservar as saídas para lazer.

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04

A empresa, o time e o cargo

A Farfetch é um marketplace de moda de luxo fundado por José Neves, que conecta boutiques e grifes do mundo inteiro a clientes finais. Nasceu com forte presença de engenharia em Portugal — Porto, Lisboa, Braga e Guimarães — e é hoje uma das referências de tecnologia do país.

Cargo
Senior Software Engineer / .NET Developer
Cluster
Search, dentro do domínio de Consumer Products
Time
Scouts — irmão do time de Search, com onboarding e cerimônias compartilhados
Tamanho
Mais de 6.000 funcionários globalmente — cerca de 150 desenvolvedores na frente onde eu atuava
Vínculo
Multivision (empregador) → Farfetch (cliente, onde eu ficava alocado)
Modelo
Full-time, híbrido no papel — remoto integral na prática
Período
Dezembro de 2020 a maio de 2021 — seis meses

Como o time se organizava

A estrutura tinha várias camadas acima de mim: diretor de engenharia, head de engenharia do domínio, e então o cluster — com engineering manager, group product manager e agile coach próprios. O cluster de Search se dividia em duas áreas, e cada área tinha seus times. O meu era o Scouts.

O detalhe mais interessante do desenho é que o time não era só de engenharia. Cada time combinava uma célula de engenharia com uma célula de data science e machine learning, sob a mesma liderança técnica e nas mesmas cerimônias. Do lado de engenharia, éramos três: dois brasileiros e um português — os outros dois já morando em Portugal. Do lado de dados, o time era distribuído entre Londres e Portugal.

O product manager atendia de dois a três times simultaneamente, o que na prática significa que a prioridade sempre era negociada, nunca dada.

A missão do cluster era entregar os melhores resultados possíveis na busca do site e alimentar os blocos de sugestão de produto. No escopo do meu time, isso se traduzia em coisas como ordenação de resultados por sinal de popularidade na busca livre e um serviço de sinônimos consumido por vários outros projetos — o tipo de peça invisível que, quando falha, derruba a relevância inteira.

Parece simples de fora. Não é. Num catálogo de luxo com centenas de milhares de itens, marcas com grafias diferentes, coleções sazonais e estoque distribuído entre boutiques do mundo inteiro, relevância de busca vira um problema de engenharia bem grande — e, ao mesmo tempo, um dos que mais impacta receita diretamente.

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05

O projeto e as tecnologias

C# .NET
Linguagem principal dos serviços e APIs da squad.
Elasticsearch
Motor de busca e relevância — indexação de catálogo, scoring, filtros facetados.
Apache Cassandra
Armazenamento distribuído de alto volume, adequado a dados de recomendação.
Apache Kafka
Streaming de eventos — comportamento de navegação e atualizações de catálogo.
Python
Pipelines de dados e a parte mais analítica das recomendações.
GitLab
Versionamento e CI/CD.

O desenho conceitual é o clássico de recomendação em e-commerce de larga escala: eventos de navegação e compra entram por Kafka, são processados e persistidos em Cassandra, viram sinal para o ranking no Elasticsearch, e tudo isso é exposto ao site por APIs em C#.

Em volta disso havia uma esteira madura, com bem mais peças do que a lista da vaga sugeria: repositório e CI, servidores de build, ferramenta de deploy separada por ambiente, análise estática de código, e três frentes de observabilidade — métricas, dashboards e agregação de logs. Havia inclusive datacenter próprio na China, com stack de logs separada, o que dá bem a dimensão do que significa operar um e-commerce global.

Meu trabalho ali foi essencialmente evoluir os serviços de busca da plataforma — melhorias incrementais em cima de uma base que já rodava em escala global.

E teve um aspecto do dia a dia que eu não esperava e que acabou sendo o mais interessante: a squad trabalhava lado a lado com o time de Data Science. Na divisão de trabalho, eles cuidavam dos modelos; nós fornecíamos os dados e os schemas de que eles precisavam, além de levar para produção o que saía dali.

Engenharia como fornecedora de dados
Essa foi a primeira vez que eu ocupei o papel de "quem entrega dado limpo e contrato bem definido para o time de modelo". Não é escrever o algoritmo de recomendação — é garantir que o algoritmo tenha o que consumir, no formato certo e no volume certo. É um trabalho menos glamouroso e absolutamente crítico.
O que eu levei dessa stack
Foi meu contato mais sério com Cassandra e com Kafka em produção de verdade, em volume de e-commerce global. Mesmo tendo sido curto, mudou bastante minha forma de pensar arquitetura orientada a eventos.

Não houve nenhum projeto novo do zero na minha passagem: o trabalho foi de melhoria contínua dentro do escopo do time. É o tipo de contribuição que não rende uma história bonita de “eu construí X”, mas que é a realidade de quem entra numa plataforma madura que já roda em escala global — você aprende o sistema, melhora pedaço por pedaço, e a régua é não quebrar nada.

O onboarding: um checklist gamificado

Essa foi a parte que mais me marcou tecnicamente, e é o que eu recomendaria copiar de lá. O onboarding não era “leia a wiki e boa sorte”. Era um programa baseado em conquistas, com um documento pessoal, nominal, onde cada item virava um checkbox que só era marcado quando você demonstrava ter cumprido.

O checklist ia do trivial ao substancial:

Ferramental
IDE, SDK, VPN, cliente de Kafka, plugin de Elasticsearch, extensões de Git — instalar e configurar tudo antes do "go-ahead".
Acessos
Permissão em cada peça da esteira: repositório, CI, deploy, observabilidade, board ágil, ambientes de teste.
Comunicação
Entrar nos canais certos — e pedir a alguém do time que explicasse a finalidade de cada um.
Conhecimento
Fundamentos de arquitetura, processo de code review, framework de testes, padrão AAA, entrega contínua e monitoração.

Repare no padrão dos itens de conhecimento: quase todos eram “peça a um colega do time que te explique X”. O onboarding não terceirizava a integração para a documentação — ele obrigava o novato a conversar com cada pessoa do time, usando o checklist como desculpa institucional. Para alguém entrando remoto, do outro lado do Atlântico, isso vale mais do que qualquer wiki.

O que eu levei desse modelo
Onboarding por conquistas resolve dois problemas de uma vez: dá ao novato uma noção clara de progresso — que é exatamente o que falta nas primeiras semanas — e transforma "conhecer o time" em tarefa explícita, em vez de deixar isso na conta da sorte e da extroversão de cada um.

O projeto de indução

O ponto alto era um projeto de indução: construir, do zero, uma aplicação de wishlist seguindo a arquitetura de referência da casa. Solução em camadas no estilo DDD — apresentação, aplicação, domínio, dados e cross-cutting —, Cassandra e Kafka rodando em Docker localmente, API REST documentada com Swagger, injeção de dependência e testes de unidade em xUnit no padrão Arrange/Act/Assert.

É um exercício brilhante de onboarding porque não é um tutorial genérico: ele te força a atravessar exatamente a mesma stack e as mesmas convenções que você vai usar no trabalho real, num contexto pequeno o bastante para caber numa semana e sem risco de quebrar produção. Você termina com um repositório seu, um code review feito com o time e um merge request de verdade.

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06

A rotina

A palavra que melhor descreve o trabalho é calma. Não no sentido de pouco trabalho, mas de previsibilidade: escopo bem definido, ritmo sustentável, sem cultura de urgência artificial.

A rotina, essa, era qualquer coisa menos calma no começo do dia. Eu acordava entre 05h00 e 06h00 para entrar na daily no horário de Portugal. O onboarding, ainda em dezembro, já tinha sido assim — remoto, marcado para 10h30 de Lisboa. E a entrevista final tinha sido às 07h30 do horário de Brasília. O padrão se manteve por seis meses.

Três ou quatro horas fazem mais diferença do que parece
Portugal fica três horas à frente de Brasília — quatro durante parte do ano, quando só um dos países está em horário de verão. Na comparação com Dubai ou com a Ásia, isso é quase nada. Mas basta para que o time inteiro comece a trabalhar enquanto você ainda está dormindo, e para que a sua manhã seja o meio do dia deles. A janela de sobreposição existe e é confortável — só que ela começa muito cedo do seu lado.

A daily que mudava de idioma

Esse é o detalhe mais curioso da rotina, e eu nunca vi repetido em nenhum outro lugar onde trabalhei.

DiasParticipantesIdioma
Terça e quintaSó engenhariaPortuguês
Segunda, quarta e sextaEngenharia + machine learningInglês

A lógica era puramente demográfica. O time de engenharia era composto por dois brasileiros e um português — nas terças e quintas, falar inglês entre nós seria teatro. Já o time de machine learning estava majoritariamente em Londres, com apenas uma analista júnior em Portugal. Nos dias em que as duas células se encontravam, o inglês era a única língua comum.

Idioma como decisão de time, não como política
Eu gosto muito dessa solução porque ela é honesta: em vez de decretar "aqui se fala inglês" e produzir reuniões truncadas onde metade das pessoas se expressa pela metade, o time deixou o idioma seguir quem estava na sala. Falava-se português quando dava, inglês quando era necessário. O custo disso é ter que trocar de chave no meio da semana; o benefício é que ninguém perde nuance à toa.

O resto do calendário

O processo era ágil de verdade, não ágil de fachada: cerimônias de Scrum combinadas com Kanban, tudo rodando sobre Jira, com backlog, sprint board e release board separados por time. Planning, refinamento, review e retrospectiva no ritmo padrão — e o cluster tinha até um agile coach dedicado, o que não é comum.

Havia também 1:1 mensal com o engineering manager. Somado ao product manager que circulava entre dois ou três times, o desenho deixava claro onde ficava cada responsabilidade: o EM cuidava das pessoas e da carreira, o PM disputava prioridade, e o time decidia como fazer.

Foi meu primeiro emprego internacional trabalhando de casa. Curiosamente, o mais difícil da adaptação não foi o idioma nem a cultura — foi o despertador.

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07

Por que a mudança nunca aconteceu

A resposta curta: apareceu Dubai.

A mensagem que eu ignorei por cinco semanas

Vale contar como apareceu, porque quase não apareceu.

Em 26 de janeiro de 2021, com pouco mais de um mês de Farfetch, uma recrutadora da Talabat — plataforma de delivery do grupo Delivery Hero, sediada em Dubai — me mandou mensagem no LinkedIn. A abordagem tinha tudo que um recrutador colocaria numa vitrine: escala de milhões de usuários diários, time com dezenas de nacionalidades, microsserviços e Kubernetes, e a expressão que fazia o trabalho pesado — salário isento de impostos.

Eu não respondi.

Não foi estratégia nem desdém. Eu tinha acabado de começar num lugar de que gostava, estava com a mudança para o Porto sendo planejada, e simplesmente deixei a mensagem para depois. O “depois” durou cinco semanas.

Em 4 de março ela mandou um follow-up dizendo que não tinha tido retorno e perguntando se eu queria conversar. Dessa vez eu respondi — em treze minutos, e já com o currículo anexado. Ainda perdi uma semana esperando resposta, cobrei, e a call ficou marcada para 17 de março.

Isso me assusta um pouco até hoje. A mudança de país que definiu os cinco anos seguintes da minha vida chegou como uma notificação do LinkedIn que eu não achei importante o suficiente para abrir. Se aquela recrutadora não tivesse feito follow-up — e follow-up é justamente o que a maioria não faz —, eu provavelmente teria me mudado para o Porto e essa série teria dois capítulos.

A lição que eu tirei não é "responda tudo". É que oportunidade não chega anunciada como oportunidade. Ela chega igualzinha a todo o resto do ruído, e você só descobre a diferença depois.

A conta que decidiu

A resposta longa exige explicar uma configuração que eu tinha naquele momento e que não é óbvia. Além do contrato com a Multivision, eu tinha em paralelo um contrato part-time remoto com a Grace Kennedy Financial Group — o maior grupo financeiro da Jamaica e do Caribe —, via a agência de recrutamento The Bridge Social, entre fevereiro e maio de 2021. Dois vínculos de Senior Software Engineer / .NET Developer ao mesmo tempo — um full-time, o outro part-time.

A conta real
Mesmo somando os dois rendimentos — o full-time da Farfetch/Multivision e o part-time da Grace Kennedy —, o total ainda ficava abaixo do que a Talabat oferecia. E a vaga de Dubai não era nem de sênior — a carta de oferta trazia Software Engineer II, grade IC2, um degrau abaixo na escada de carreira de lá.

Some a isso o segundo fator: os Emirados Árabes Unidos não cobram imposto de renda sobre salário. Enquanto em recibos verdes eu arcaria com IRS, Segurança Social e contabilista, no Dubai bruto e líquido eram praticamente a mesma coisa.

Vale registrar o que não estava em jogo: o contrato com a Grace Kennedy era part-time, remoto, e não envolvia qualquer plano de mudança para o Caribe — era renda extra, não um caminho de carreira. Terminou junto com a Farfetch, em maio de 2021.

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Mas a parte mais decisiva não é financeira. É logística.

O fato de eu ainda não ter me mudado foi o que tornou tudo possível. Eu estava em São Paulo, sem contrato de aluguel no Porto, sem mudança despachada, sem nada instalado. Trocar de rumo naquele momento custava dois e-mails de desligamento — não uma vida desmontada.

Se eu já estivesse morando em Portugal, provavelmente teria dito não. Depois de atravessar visto, mudança, aluguel e adaptação, ninguém desfaz tudo isso seis meses depois por uma proposta melhor. E, sendo honesto, eu suspeito que a vaga nem teria chegado até mim: um candidato recém-instalado na Europa é bem menos disponível para um novo processo internacional do que alguém que ainda está no ponto de partida.

A mudança que nunca aconteceu foi exatamente o que permitiu a mudança que aconteceu. É irônico, mas é assim que funciona: o custo de mudar de rumo cresce muito rápido depois que você assina o contrato de aluguel.

Quando a viagem para Dubai finalmente se concretizou, eu encerrei os dois vínculos — o de recibos verdes com a Multivision e o part-time remoto com a Grace Kennedy, onde fiquei quatro meses.

A comunicação saiu entre abril e maio, e só depois de eu já ter contrato assinado com a Talabat — não antes. Essa ordem não é detalhe: quando a mudança depende de visto, de fronteira e de país estrangeiro, você não abre mão do que tem com base em promessa verbal. Só avisei quando não havia mais cenário em que eu ficasse.

Houve uma ironia adicional no caminho. A recrutadora que tinha conduzido todo o meu processo saiu da Multivision em janeiro de 2021, e o meu acompanhamento passou para outra equipe. Quem me contratou com tanto entusiasmo — que tinha comemorado comigo pelo telefone, torcido antes das entrevistas, me preparado para a prova — não estava mais lá para ouvir que eu ia embora. Eu me despedi de pessoas que mal me conheciam, de um escritório que eu nunca vi, numa cidade onde eu nunca morei.

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08

Linha do tempo

QuandoO quê
Julho de 2019Entrada no Banco BS2 via K2 Partnering — squad de API Banking, tribo B2B, São Paulo
16 a 19/03/2020Passagem para o time de projetos especiais (BH) — três dias em Belo Horizonte, dois de escritório, e volta para SP pela quarentena
Março a novembro de 2020Implementação do SPI/PIX, com o time todo em remoto — lançamento nacional em 16/11/2020
03/11/2020Primeiro contato da recrutadora da Multivision no LinkedIn
12 e 17/11/2020Entrevistas com a Farfetch — técnica e com o líder técnico
17/11/2020Proposta aceita, por telefone
Dezembro de 2020Documentação, onboarding virtual e início no time Scouts
Dezembro de 2020NIF, contabilista e planejamento da mudança para o Porto
Dezembro de 2020 a janeiro de 2021Abertura da conta no Millennium BCP, ainda do Brasil — já existia em 25/01/2021
12/01/2021A recrutadora que conduziu meu processo deixa a Multivision
26/01/2021Primeira mensagem da Talabat no LinkedIn — que eu não respondi
02/02/2021Abertura de atividade nas Finanças de Portugal — os recibos verdes passam a existir formalmente
Fevereiro de 2021Início do contrato part-time remoto com a Grace Kennedy Financial Group (Jamaica), via The Bridge Social — em paralelo com a Farfetch
04/03/2021Follow-up da recrutadora de Dubai — dessa vez eu respondo
17/03/2021Primeira call com a Talabat
21/04/2021Carta de oferta da Talabat — válida por três dias úteis
Abril–Maio de 2021Comunicação de saída dos dois vínculos, já com o contrato assinado
Maio de 2021Fim da passagem pela Farfetch e do contrato com a Grace Kennedy — sem nunca ter me mudado para Portugal
30/05/2021Primeiro dia na Talabat — ainda remoto, do Brasil
14/06/2021Início de um novo contrato CLT paralelo (filial brasileira de empresa americana) — já durante os primeiros meses remotos na Talabat, sem relação com a decisão do Porto

O que ficou desses seis meses

Meu plano sempre foi usar Portugal como porta de entrada para a Europa. E, no fim das contas, foi mais ou menos o que aconteceu — só que fora de ordem, com um desvio de quase dois anos pelo deserto no meio do caminho. Hoje eu moro na Irlanda. Cheguei lá, só não pelo roteiro que estava na planilha.

Foi a passagem mais curta da minha carreira internacional e, ainda assim, formativa em um aspecto específico: foi ali que eu descobri, na prática, que trabalhar para uma empresa de fora não é a mesma coisa que morar fora. São dois projetos diferentes, com burocracias diferentes, e um não implica automaticamente o outro.

Também foi onde eu entendi a diferença real entre ser contratado por uma empresa e ser alocado em uma empresa. Nos dois capítulos seguintes da série — Dubai e Dublin — o vínculo foi direto, sem intermediário, e a experiência mudou completamente de textura.

No próximo post: a mensagem que eu quase não respondi, o processo que correu inteiro por Zoom, seis meses trabalhando do Brasil para o Oriente Médio — e depois um ano e meio morando no deserto.

Referências

  1. Farfetch. About Farfetch. farfetch.com
  2. Multivision. IT Outsourcing — consultoria de tecnologia em Portugal. multivision.pt
  3. Ei! Assessoria Migratória. Legalização de cidadãos de Estados terceiros em Portugal. eimigrante.pt
  4. Autoridade Tributária e Aduaneira. Portal das Finanças — trabalhadores independentes. portaldasfinancas.gov.pt
  5. Segurança Social. Regime dos trabalhadores independentes. seg-social.pt

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