Malta em 8 dias: St. Julian's, Comino e o sudeste da ilha — praias, baladas e os custos reais saindo de Dublin
Relato completo de 8 dias em Malta saindo de Dublin: hotel em St. Julian's, Golden Bay, St. Peter's Pool, Blue Grotto, Blue Lagoon em Comino e a vida noturna de Paceville. Timeline dia a dia, gráficos de custos reais por pessoa e dicas práticas.
Oito dias em Malta no fim de agosto, saindo de Dublin por € 283 ida e volta com escala em Manchester. Quatro praias completamente diferentes entre si, oito festas, a Blue Lagoon de Comino, um passeio perdido por dormir demais e um total de € 2.322,36 do bolso. Este é o relato completo — com todos os números e os gráficos de onde o dinheiro foi.
Esta foi minha segunda viagem a Malta — a primeira foi em maio de 2022, e ainda fiz uma escala na virada de 2025 para 2026, voltando da Grécia, em que passei a madrugada inteira num bar esperando o voo para a Irlanda. Ou seja: eu já conhecia Paceville e boa parte da ilha antes de embarcar.
Por isso este roteiro pula deliberadamente Valletta, Mdina e a Popeye Village — todos visitados em 2022. E deixa de fora Gozo, que continua sendo a grande lacuna: em três passagens por Malta, nunca fui. Explico os dois casos na seção 14.
Todos os valores foram anotados durante a viagem, não reconstruídos depois. Onde algo foi dividido em grupo, a divisão está explícita.
Como cheguei: Dublin → Manchester → Malta
A passagem foi comprada pelo Kiwi em 25/07/2026, um mês antes da viagem:
| Trecho | Data | Saída prevista | Saída real | Valor |
|---|---|---|---|---|
| Dublin (DUB) → Manchester (MAN) | 22/08 | 06h30 | 06h09 | € 25,85 |
| Manchester (MAN) → Malta (MLA) | 22/08 | 08h45 | 09h08 | € 94,82 |
| Malta (MLA) → Dublin (DUB) | 29/08 | 20h00 | 21h23 | € 133,48 |
| Taxa de serviço Kiwi | — | — | — | € 28,85 |
| Total | € 283,00 |
A tarifa era Basic, com bagagem de mão de 5 kg inclusa em todos os trechos — aquela mochila que cabe embaixo do assento. Para 7 noites de verão em Malta é perfeitamente viável: roupa leve ocupa pouco, e você acaba comprando alguma coisa lá de qualquer forma.
Um amigo comprou a passagem dele no dia 04/08 (dez dias depois da minha) para o período de 22 a 26 e pagou € 270. Ou seja: um dia a mais de viagem me custou € 13. Comprar cedo compensou pouco nessa rota específica, mas comprar tarde também não penalizou muito.
Do aeroporto a St. Julian’s
Chegamos em horários diferentes: um amigo pousou de manhã e pegou o ônibus TD2; eu cheguei à tarde e peguei o TD3. Ambas as linhas fazem o trajeto aeroporto → St. Julian’s e custam € 3,00 por pessoa. O terceiro do grupo veio de táxi, gastando cerca de € 15.
A diferença é de € 12 por pessoa num trajeto de 20 minutos — pousei às 13h44 e estava no hotel às 14h04. Com bagagem de mão e sem pressa, o ônibus vale muito a pena.
Hospedagem: ASTE Hotel, St. Julian's
Ficamos no ASTE Hotel, em St. Julian’s. A reserva foi fechada em cima da hora — no dia 19/08, três dias antes do embarque — e ainda assim o preço saiu justo para plena alta temporada.
O quarto e o hotel:
- Quarto family/triplo com banheiro privativo, ar-condicionado e varanda
- Chaleira com chá e café, frigobar e escrivaninha
- Piscina na cobertura, sun terrace e bar
- Wi-Fi gratuito, elevador, recepção 24 horas e área externa
- Café da manhã incluso (bem avaliado no Booking)
A localização é o grande trunfo: St. George’s Bay a 5 minutos a pé, Portomaso Marina a 400 m, Bay Street Shopping Complex a 300 m e Paceville — o centro da vida noturna maltesa — na rua de cima. O aeroporto fica a 9 km.
| Período | Noites | Reserva | Total | Minha parte |
|---|---|---|---|---|
| 22 → 26/08 | 4 | Triplo (3 pessoas) | € 805,00 | € 268,33 |
| 26 → 27/08 | 1 | Triplo (3 pessoas) | € 202,50 | € 67,50 |
| 27 → 29/08 | 2 | Single (sozinho) | € 319,85 | € 319,85 |
| Late checkout (29/08) | 2 horas | — | € 30,00 | € 30,00 |
| Total | 7 | € 685,68 |
As amigas ficaram em Buġibba
Duas amigas que também moram em Dublin viajaram no mesmo período e ficaram no Canifor Hotel, em Buġibba, de 23 a 28 de agosto — do outro lado da ilha em relação a St. Julian’s.
Isso teve efeito prático real no roteiro: encontrar-se implicava 20 a 30 minutos de Bolt ou uma viagem de ônibus, e mais de uma vez a noite delas terminou cedo só por causa do trajeto de volta. Se o seu grupo vai se dividir em hotéis diferentes, considere seriamente a distância entre eles — em Malta as distâncias são curtas no mapa, mas o deslocamento noturno pesa.
Timeline — dia a dia
| Dia | Data | Principais atividades | Gasto/pessoa |
|---|---|---|---|
| Dia 1 — Chegada | 22/08 (Sáb) | DUB→MAN 06h09 · MAN→MLA 09h08 · Pouso em Malta 13h44 · Hotel 14h04 · Hugo's + pool party no Society 20h09–22h50 · Toy Room (by Pacha) 00h05–03h40 | ≈ € 132 |
| Dia 2 | 23/08 (Dom) | Golden Bay 13h19–18h27 · Café del Mar (festa Sundays) 20h54–01h02 · Hotel para trocar de roupa · Havana em Paceville 01h50–04h30, já na madrugada de segunda | ≈ € 316 |
| Dia 3 | 24/08 (Seg) | Almoço no Hugo's 13h24–14h17 · St. Peter's Pool 15h01–16h52 · Marsaskala 17h17–18h02 · Blue Grotto 18h27–19h44 · Pizza no Claudio's · Irish Pub e duas baladas | ≈ € 84 |
| Dia 4 | 25/08 (Ter) | ★ Passeio da manhã perdido · Ferry Sliema→Comino 15h04–16h19 · Blue Lagoon e Crystal Lagoon até 19h20 · Volta a Sliema 20h18 · Souvenirs · Asian Kingdom | ≈ € 201 |
| Dia 5 | 26/08 (Qua) | Festa do Branco no Toy Room Beach Club (Sliema) 14h20–19h · Jantar no Asian Kingdom · Footloose em Paceville até 05h | ≈ € 205 |
| Dia 6 | 27/08 (Qui) | Praia em Sliema + caminhada de 5,8 km pela orla 13h39–15h23 · Asian Kingdom · Jantar no UMI 21h52–23h24 | ≈ € 253 |
| Dia 7 | 28/08 (Sex) | Dia de descanso · Piscina do hotel · KFC e série no quarto | ≈ € 53 |
| Dia 8 — Partida | 29/08 (Sáb) | Late checkout às 13h · Recepção até 16h48 · Sorvete no RivaReno 16h50–17h05 · Bolt ao aeroporto 17h05–17h20 · MLA→DUB 20h00 (atrasou) | ≈ € 110 |
Dia 1 — Paceville, pool party no Society e Toy Room
Chegamos, largamos as mochilas e fomos direto para Paceville — que fica literalmente na rua de cima do hotel. É o bairro que concentra praticamente toda a vida noturna de Malta: baladas, bares e fast-food espremidos em poucos quarteirões, com St. George’s Bay ao lado.
Jantar no Hugo’s
Jantamos no Hugo’s, uma rede que é praticamente instituição na região e tem várias casas na mesma rua. Peguei o combo do hambúrguer nº 6 — carne desfiada com molho Jack Daniel’s, batata frita, refrigerante — mais uma porção de nuggets: € 20,40. Meu amigo pediu o mesmo combo sem os nuggets: € 15,40.
Para o padrão de Paceville, que cobra caro justamente por estar no meio do agito, € 15–20 por um combo completo é preço honesto.
Pool party no rooftop do Society (até 23h)
Saindo do Hugo’s, entramos no So City Rooftop, no Society Hotel, onde acontecia uma pool party. Ficamos das 20h09 às 22h50 — quase 2h45 — e ainda passamos no hotel antes de sair de novo. Éramos só dois nessa etapa: o terceiro do grupo ainda não tinha chegado a Malta.
Gastei € 22 em bebida ali — uma rodada. A entrada e a primeira rodada foram pagas pelo amigo que estava comigo, numa troca informal: eu tinha comprado os ingressos do passeio de barco dos dois, e ele compensou cobrindo o rooftop. O consumo seguia o padrão da ilha: € 5 por dose.
Antes de subir, às 21h56, passamos num Shop Express e gastei € 19,80 entre água, cerveja, chiclete, vape e o primeiro par de chinelos da viagem — que não sobreviveria até o fim.
Toy Room (by Pacha), Paceville (00h–04h)
À meia-noite fomos para a Toy Room (by Pacha) — a casa de Paceville, que não deve ser confundida com o Toy Room Beach Club de Sliema, da mesma marca, que aparece no Dia 5 deste relato. São dois lugares diferentes, com estruturas e preços diferentes.
Compramos a entrada com uma promoter na rua: € 25 por pessoa, pagos por transferência via Revolut ali mesmo na calçada — o extrato registra o nome dela, não o da casa. A entrada dava direito a uma festa em beach club no dia seguinte — que não aproveitamos.
Como funciona o consumo:
- Sistema de pulseira recarregável: você carrega € 20 e recebe 4 drinks (≈ € 5 por bebida). Recarreguei duas vezes, € 40 no total
- Opção VIP por € 50, dando acesso a um mezanino acima da pista, com menos gente. Ficamos na pista mesmo
- A casa fecha pontualmente às 04h00, e ficamos até o fim — o registro de localização do celular não pegou essa parte porque a bateria já tinha acabado
- Público bem jovem — faixa dos 17 aos 25 anos, majoritariamente estudantes e turistas italianos
- Estava bastante cheia na noite em que fomos
A entrada de € 25 incluía um beach club no dia seguinte, e a gente simplesmente não foi.
Vale a distinção, porque é fácil confundir: a festa inclusa era uma festa comum, de dia a dia, no Toy Room Beach Club. A festa do branco a que fui quatro dias depois era um evento especial, com ingresso vendido à parte. Não são a mesma coisa — mas o combo do promoter continua valendo a pena se você planejar o dia seguinte.
Dia 2 — Golden Bay, Café del Mar e Havana
O dia mais caro da viagem, e por uma margem enorme.
Golden Bay (13h19–18h27)
Fomos de Bolt: € 30 saindo do ASTE — 14,6 km em 22 minutos até o noroeste da ilha. Golden Bay é uma das poucas praias de areia de verdade em Malta — a maioria do litoral maltês é rochosa — e por isso é uma das mais procuradas.
Estrutura e preços:
- Espreguiçadeira: € 10 cada (pegamos 3)
- Guarda-sol: € 5 cada (pegamos 2) — cadeiras e guarda-sóis são cobrados pelo Yarin Beach, e paguei os € 35 do conjunto
- Bar de praia (Munchies Golden Bay) com água, cerveja, iscas de peixe, iscas de frango e batata frita
As cadeiras e o guarda-sol foram cobrados pelo Yarin Beach (€ 35) e o que consumi no bar somou € 16,60 em duas comandas — € 51,60 no meu cartão. Os outros dois também compraram coisas nos cartões deles, e boa parte do que veio para a mesa acabou sendo dividida sem ninguém rachar valor, então esse número é o meu gasto, não o do grupo. A volta de Bolt custou € 30,40.
Café del Mar — festa Sundays (20h54–01h02)
Passamos no hotel, trocamos de roupa e fomos para o Café del Mar, em Qawra, para a festa Sundays (ingressos em sundays.com.mt). Bolt: € 30.
Compramos os ingressos pelo site: 1 VIP a € 50 e 2 normais a € 25 (os VIPs tinham esgotado) — o VIP saiu no meu cartão. Na porta conseguimos subir os três para VIP pagando a diferença: os normais saíram por € 30 em vez de € 25. E no fim nem usamos a área VIP.
Sobre o lugar:
- Espaço grande, a céu aberto — e estava bem quente
- Chegamos por volta das 21h e já era noite
- Público mais velho que o da Toy Room, na faixa dos 25 aos 35, com bastante gente de 18 a 25 também
- Todo mundo bem mais arrumado que na noite anterior
- O evento acaba pontualmente à 01h00 — e ficamos até o fim
- Rodada de bebidas (3 copos): € 17,20 — ou seja, ≈ € 5,73 por bebida
Bebemos cerveja, Jägermeister e whisky com energético ou refrigerante. Foram 9 rodadas no total entre os três — 9 copos por pessoa, 27 no total. No meu cartão caíram cinco delas: três no caixa principal (€ 17,20, € 17,70 e € 17,70) e duas no bar interno, que aparece como Marine Aquatic (€ 17,20 cada). € 87 só de bebida numa noite.
Havana, Paceville (já na madrugada de segunda)
O Café del Mar encerrou à 01h em ponto. Voltamos de Bolt ao hotel, trocamos de roupa e só então fomos ao Havana — ou seja, a essa altura já era segunda-feira. Entramos por volta das 01h50 e ficamos até cerca de 04h30. No extrato a casa aparece como Paceville Entertainments. Entrada: € 20. A casa toca música latina e tropical, é grande e tem 2 ou 3 ambientes. Em bebida foram € 44,30: uma comanda de € 20,70 e quatro rodadas de € 5,90.
Dia 3 — St. Peter's Pool, Marsaskala e Blue Grotto
Dormimos até tarde, almoçamos no Hugo’s de novo (€ 15,40, combo sem nuggets, dessa vez com hambúrguer comum) e saímos para uma maratona pelo sudeste da ilha — três lugares em um dia, o que só é possível de Bolt (ou de carro).
St. Peter’s Pool
Bolt: € 30, 14,8 km em exatos 30 minutos. É uma piscina natural de rocha calcária perto de Marsaxlokk — sem areia, sem espreguiçadeira, sem estrutura. Só pedra, água turquesa e gente pulando dos paredões.
É excelente para pular, mas bastante rochoso — não é lugar para quem quer deitar numa toalha. Não há bar no local, mas passa ambulante: comprei água e Coca-Cola por € 8, pagos por transferência direto para a pessoa.
Marsaskala — o que não funcionou
De St. Peter’s fomos para Marsaskala em uma van/táxi avulso: € 20 pelos três.
E aqui vai um relato honesto: não gostamos, e nem chegamos a parar. Havia um restaurante bem em frente à praia, mas não entramos. Olhamos a faixa de areia — pequena e tomada por famílias com crianças — e a área de mergulho, cheia de barcos, e simplesmente começamos a andar na direção oposta.
Ainda compramos 3 Gatorades e 3 águas por € 9 de um vendedor local. Caminhamos 863 metros até a segunda faixa de areia e pedimos o Bolt dali, que demorou 20 minutos para chegar. No fim, o que era para ser uma parada de praia virou 45 minutos de caminhada e espera pela orla — das 17h17 às 18h02.
Nada contra o lugar — Marsaskala é claramente uma cidade de veraneio familiar, e cumpre bem esse papel. Só não é o destino certo para um grupo de amigos procurando praia com estrutura.
Blue Grotto (18h27–19h44)
De Marsaskala para a Blue Grotto: € 15 de Bolt.
A Blue Grotto não tem praia e a água é funda — você entra direto do costão. Chegamos às 18h27, e uma correção importante em relação ao que costuma se dizer sobre horários: o lugar não estava vazio. Havia entre 80 e 100 pessoas, sentadas do lado de fora e já dentro da água.
O que estava parado eram os barcos de passeio, que já tinham encerrado o movimento do dia. Isso muda a experiência: dá para nadar tranquilamente ao lado das embarcações ancoradas, sem tráfego, mas sem a ilusão de ter o lugar só para você. Ficamos até as 19h44.
A noite: pizza, Irish Pub e duas baladas
Jantamos no Claudio’s Pizza, bem em frente ao ASTE, por volta das 21h: € 58 por 3 pizzas e 4 refrigerantes (€ 19,33 por pessoa). As pizzas são grandes o suficiente para um dos três não conseguir terminar e levar para viagem — mas nós outros dois comemos uma inteira cada sem dificuldade.
Quase à meia-noite fomos encontrar as amigas no Irish Pub de Paceville. Ali não gastamos nada — elas já estavam bebendo e nós tínhamos levado uma lata de Heineken.
De lá fomos ao Flow Club, de reggaeton: entrada gratuita, bebida barata e um cupom de compre 1 leve 2 (uso único). Uma rodada às 23h59: € 5,40. Por volta das 00h45 elas foram embora — o hotel delas ficava em Buġibba, chegariam quase 01h30 e tinham passeio para Comino cedo no dia seguinte.
Ficamos mais um pouco no Qube Club, ao lado, de música latina, que também tinha o cupom de pague 1 leve 2. Outra rodada às 00h34: € 5,90. No caminho de volta paramos no La Dolceria, o mercadinho entre Paceville e o hotel, para comprar água (€ 2,20 à 01h47).
Dia 4 — Comino, Blue Lagoon e Crystal Lagoon
Só saímos do hotel às 14h43 — quase seis horas depois da saída do passeio que tínhamos comprado. Prejuízo assumido, compramos outro na hora: € 40 pelo Booking, com saída de Sliema no início da tarde. Quem pagou na hora foi um amigo, e eu transferi a minha parte depois.
O passeio que perdemos × o passeio que fizemos
Vale comparar os dois, porque a diferença é instrutiva:
| Perdido — GetYourGuide (€ 26) | Feito — Booking (€ 40) | |
|---|---|---|
| Horário | 09h00 → 14h30 (5h30 previstas) | 15h04 → 20h18 (5h15 reais) |
| Saída | San Pawl il-Baħar | Sliema |
| Blue Lagoon | ≈ 1 hora | 1h30, com waterslide no barco |
| Gozo | ≈ 2 horas para explorar | Não incluído |
| Grutas e formações rochosas | Visita às cavernas marinhas | Parada de 5–10 min, sem mergulho |
| Segunda parada de mergulho | — | Crystal Lagoon, 45–60 min |
| Extras | Comentário ao vivo em inglês, escadas de acesso ao mar, banheiro a bordo, transfer opcional em Gozo | Ferry de 2 andares com bar, mesas no térreo e cadeiras no piso superior, banheiro a bordo, waterslide e comentários em inglês, italiano, espanhol e (aparentemente) alemão |
O passeio da manhã era objetivamente mais completo — praticamente a mesma duração (5h30 previstas contra as 5h15 que o nosso levou na prática), cerca de € 14 mais barato por pessoa e ainda com duas horas em Gozo. O da tarde compensou em tempo de água: 1h30 na Blue Lagoon contra 1 hora, mais os 45 a 60 minutos de mergulho na Crystal Lagoon, que o outro não tinha.
Na prática
Saímos do hotel às 14h43 e embarcamos às 15h04. A travessia de Sliema até Comino, com a Luzzu Cruises, levou 1h15 (36,8 km). O barco era um ferry de dois andares, com bar e mesas no térreo e cadeiras no primeiro piso.
A estrutura em Comino:
- Food trucks e bar — em Comino compramos só uma garrafa de água. Os € 24 que gastei (€ 8 às 15h36, € 4 às 18h50 e € 12 às 19h23) foram todos no bar do ferry, e os outros dois também pagaram algumas rodadas
- Lockers: € 5 os pequenos, € 8 a € 10 os grandes. Tentamos usar por volta das 17h e o responsável disse que já estava fechando, embora o aviso indicasse 17h45 — se for usar, resolva cedo
- Aluguel de cadeira com guarda-sol incluso por € 10 — não pegamos
- Dá para pular das pedras ou nadar na praia
E o aviso mais importante: é muito lotado, mesmo no horário da tarde. Ficamos das 16h19 às 19h20 — três horas exatas na região de Comino, contando as paradas do barco.
Na volta, o barco fez mais duas paradas: uma rápida, de 5 a 10 minutos, apenas para observar as grutas e cavernas — sem entrar na água — e outra na Crystal Lagoon, com 45 a 60 minutos para mergulho. Chegamos de volta a Sliema às 20h18.
Sliema: souvenirs e o Asian Kingdom
Às 20h48 passamos numa loja de souvenirs — gastei € 33,45 em lembrancinhas, 8 copinhos de shot (cerca de € 2,50 cada) e uma bermuda branca, que teria uso no dia seguinte.
Um detalhe: o ingresso da festa do branco do dia seguinte foi comprado ainda durante o passeio de barco, às 18h38, pelo site do próprio beach club — € 16,50, sendo € 15 de ingresso e € 1,50 de taxas. Quem deixou para comprar na porta no dia pagou € 20, então antecipar economizou € 3,50.
Jantamos no Asian Kingdom, ao lado do Burger King. O meu pedido:
| Item | Valor |
|---|---|
| Hoso Maki de salmão (6 unidades) | € 4,00 |
| Arroz frito com carne | € 6,00 |
| Porção de batata frita | € 4,00 |
| Coca-Cola Zero 500 ml | € 6,10 |
| Total da conta | € 21,30 |
Os amigos pediram arroz frito com carne, rolinho primavera de pato (4 un.) e chicken wings (4 un.) — € 25 — e arroz frito com camarão com prawn crackers — € 14.
A volta rendeu história: às 22h06 pedi um Bolt de € 12,40 e o motorista cancelou sem nunca aparecer. Um amigo pediu o dele, que saiu praticamente pelo mesmo valor. E aí a rua estava fechada em St. Julian’s, em frente à delegacia. Descemos a cerca de 400 m do hotel e resolvemos caminhar pelo caminho mais longo, passando pela baía de St. Julian’s e pela frente de Paceville — uns 15 a 20 minutos de caminhada que acabaram valendo mais que a corrida.
Dia 5 — Festa do Branco no Toy Room Beach Club e Footloose
O dia da despedida do grupo original — e o segundo mais caro da viagem.
Toy Room Beach Club, Sliema (11h–19h)
Começamos o dia com café da manhã tardio no Basic Foods and Drinks (€ 21,73 às 11h23) e seguimos para a festa do branco no Toy Room Beach Club de Sliema — que aparece no extrato como MedAsia Playa —, onde ficamos das 14h20 às 19h — a unidade praiana da mesma marca da Toy Room (by Pacha) de Paceville, mas um lugar completamente diferente. Entrada: € 15 (a mesma festa que vinha inclusa no combo do promeoter no primeiro dia e a gente não usou).
Alugamos uma double premium perto da piscina principal por € 70, € 35 cada — na hora quem pagou foi um amigo, e depois acertei com ele por Revolut.
A tabela de sunbeds do beach club sobe na alta temporada. Em maio a single sai por € 20, a single premium por € 30 e a double premium por € 60. De junho a setembro cada single sobe € 5 e a double sobe € 10 — foi por isso que a nossa saiu por € 70 em vez de € 60. Toalha é à parte, € 5 o aluguel.
O lugar é grande: duas piscinas, dois bares, serviço de comida (fast food) e uma loja de conveniência.
O consumo funciona por pulseira recarregável, como na Toy Room de Paceville. Recarreguei € 40 às 14h37 e € 20 às 17h05, somando € 60 em bebida ao longo do dia.
Sobre o dress code: fomos de branco, como manda a festa, mas muita gente estava sem nada de branco e ninguém foi barrado. Se você não tem a roupa, não é motivo para deixar de ir. As amigas conseguiram uma single gratuita cada uma — que na tabela sairia por € 25 em agosto — através de um segurança brasileiro com quem fizeram amizade. Vale a menção, porque em Malta isso funciona mais do que parece.
A noite: despedida e Footloose
Saímos da festa às 19h (€ 15,30 de Bolt na volta). Na chegada a St. Julian’s a rua estava fechada de novo, então descemos e seguimos a pé. No caminho encontramos outra unidade do Asian Kingdom e jantamos ali às 20h04 — dessa vez pedi noodle de carne no lugar do arroz frito, e a conta foi de € 23,30.
Um dos amigos voou de volta às 22h45. Eu e o outro fomos ao Footloose encontrar as polonesas que ele tinha conhecido no barco de Comino na véspera.
Antes, às 23h23 e 23h50, compramos bebida no Shop Express Cy — € 19 e € 10,96, quase € 30 em mojito e gin em lata. Voltarei a esse detalhe na seção 12, porque o horário importa.
Footloose:
- Entrada € 20 (à 00h05), com direito a 2 bebidas inclusas — na prática, € 10 de cover
- Música latina, casa grande
- Consumo extra: € 47,30, em quatro comandas entre 01h01 e 03h41 (€ 11,80 · € 8,90 · € 14,80 · € 11,80)
Elas eram cinco, do interior da Polônia, e quase não falavam inglês. Em determinado momento foram embora — e logo depois duas voltaram e ficaram até o fim da balada. Voltamos a pé para o hotel, a poucos metros dali, com mais uma parada no Shop Express às 04h52 (€ 7,84).
Dia 6 — Sliema, mal-entendidos e o jantar no UMI
Acordamos entre 12h30 e 13h. Como era o último dia do meu amigo, decidimos ir à praia. As amigas estavam em Golden Bay, disseram que só tinha criança por lá e que iriam para Sliema — que era exatamente onde eu já queria ir, por ser a mais próxima.
E aí o dia virou uma sequência de mal-entendidos. Achei que elas já estivessem em Sliema quando ainda estavam em Golden Bay, e no caminho ainda passaram no shopping sem avisar.
Pegamos o Bolt (€ 8,30) até a praia rochosa logo depois do Il-Fortizza, em Sliema. E aqui vale o aviso: as praias de Sliema são rochosas — não há faixa de areia na maior parte da orla.
Fomos andando na direção do Toy Room e constatamos que dali para a frente não havia mais praia nenhuma. Voltamos, passamos em frente ao Il-Fortizza de novo (dessa vez a pé) e entramos na água em Exiles Bay. Depois seguimos caminhando pela beira do mar até o Asian Kingdom de St. Julian’s — a terceira visita à rede em quatro dias, com o mesmo pedido da primeira vez (€ 19,80, às 16h03).
Somando tudo — descer do Bolt, a ida e volta a pé pela orla, o tempo esperando as amigas em Exiles Bay e a caminhada final até o restaurante —, foram 5,75 km em 1h44, das 13h39 às 15h23. Cerca de 3,6 milhas.
Pelo caminho comprei uma garrafa de água de 2 litros num truck de sorvete (€ 2,50, às 13h49) e, mais tarde, uma sandália de € 9,99 às 15h25 — o chinelo que eu tinha comprado na ilha arrebentou. O substituto acabou ficando no ASTE quando fui embora.
Voltamos ao hotel pensando em pegar a piscina, mas já eram quase 17h e estava na hora dele sair para o aeroporto. Acabamos ficando no quarto: eu dormi um pouco e ele arrumou a mala.
UMI — Sushi & Asian Fusion
À noite jantei no UMI, em St. Paul’s Bay, com as amigas de Dublin e uma amiga delas que mora em Malta — chefe de cozinha, já morou em Dublin por cerca de dois anos, além de ter vivido na Itália e em outro país do leste europeu. Conhecemos ela na segunda-feira, durante a viagem, e ter alguém que mora na ilha muda completamente a perspectiva sobre onde comer.
A reserva foi feita na véspera, durante a festa do branco. A sugestão original dela era outro restaurante, mas não havia horário disponível até o dia 29, quando eu já teria voltado. Ficou o UMI, mesa para 4 às 20h — remanejada no dia para 21h30, e acabamos chegando lá por volta das 21h50. As meninas comeram pouco, já tinham almoçado tarde.
A conta ficou em € 113 pelos quatro — o jantar mais caro da viagem, e o único momento em que gastamos com um restaurante de verdade em vez de fast-food ou delivery. Vale dizer que só dois de nós comeram de fato; as outras duas beliscaram, já tinham almoçado tarde.
Depois do jantar caminhamos do UMI até o Canifor Hotel, onde elas estavam: 1,42 km em 27 minutos, cerca de 0,9 milha. De lá peguei um Bolt para o ASTE à 00h05 (€ 19,90). A ida, às 21h13, tinha custado € 19,40 — St. Paul’s Bay fica no extremo oposto de St. Julian’s, e essas duas corridas foram as mais caras da viagem. Chegando ao hotel, ainda gastei € 5 no Basic Foods and Drinks à 00h29.
Dia 7 — O dia de não fazer nada
Tinha combinado de ir a Valletta com as amigas, mas fiquei no hotel dormindo. Depois peguei a piscina da cobertura e assisti série no quarto, com dois pedidos de KFC pelo Wolt ao longo do dia.
Todo mundo já tinha ido embora — elas voltaram para Dublin naquele dia, depois de passarem a manhã e a tarde em Valletta.
Primeiro pedido — € 25,55, pago às 05h06 com RevPoints e entregue às 05h23:
- Original Recipe Chicken 3 pcs, meal com arroz e Pepsi Zero grande — € 15,55
- Adicional de Caramel Sundae — € 2,00
- Fries large — € 3,70
- Hot Wings 5 pcs — € 5,90
- Taxa de serviço — € 0,40 · Entrega grátis
O Caramel Sundae não veio: mandaram duas Pepsi no lugar. Reclamei e recebi € 2 de volta como crédito.
Segundo pedido — € 29,82, pagos € 27,82 com o crédito, às 23h41, entregue à 00h35:
- Original Recipe Chicken 3 pcs, meal com fries large e Pepsi Zero grande — € 15,55
- Adicional de Caramel Sundae — € 2,00
- Churros 12 pcs com caramelo e chocolate branco — € 7,90
- Hot Wings 5 pcs — € 5,90
- Taxa de serviço — € 0,47 · Entrega grátis
E aconteceu de novo: o Caramel Sundae, que eu nem tinha percebido que estava selecionado, não veio — dessa vez compensado com uma Fanta laranja extra. Não reclamei.
O delivery funciona pelo Wolt, que pertence ao mesmo grupo do Deliveroo — a mesma lógica de marcas regionais que a Delivery Hero usa ao operar como Talabat no Oriente Médio. Mas atenção: na prática são empresas separadas, com contas e cadastros independentes. Ter conta no Deliveroo não te dá acesso ao Wolt.
Eu já tinha usado o Wolt na Grécia no réveillon, então bastou reativar. Aproveitei ainda o trial do plano premium, que deu 3 dias grátis em Malta — e cancelei ao voltar para a Irlanda. Nos dois pedidos a entrega saiu de graça, com taxa de serviço abaixo de € 0,50.
Dia 8 — Late checkout, sorvete e a volta
Acordei pronto para o checkout e descobri que dava para estender a saída (originalmente 11h) por € 15 a hora, até as 13h. Paguei € 30, dormi até meio-dia, tomei banho, arrumei a mala e fiz o checkout.
Fiquei sentado na recepção jogando no celular até as 16h48, com a mala ao meu lado no sofá o tempo todo — não cheguei a deixá-la guardada. Depois saí e tomei o último sorvete da viagem no RivaReno, em St. Julian’s, entre 16h50 e 17h05 — foram duas compras de € 6, um scoop de limone e outro de limone com salted caramel. De lá, Bolt para o aeroporto: € 16, 8,6 km em 15 minutos. Cheguei ao terminal às 17h20.
No free shop do aeroporto gastei mais € 82,17: três perfumes em promoção a € 20 cada e € 22,17 em Toblerone (dois pacotes na promoção, um deles de € 15).
O voo de volta
O voo deveria decolar às 20h de Malta e pousar às 23h em Dublin. Decolamos às 21h23 e pousamos às 00h11 — 1h11 de atraso na chegada.
Comprar bebida em St. Julian's: existe um toque de recolher
Esta é a informação mais difícil de achar sobre Malta na internet, e a que mais atrapalha quem está economizando: em St. Julian’s, os mercadinhos são proibidos de vender bebida alcoólica das 21h às 4h da manhã.
Não sei dizer se a regra vale em outras regiões da ilha — nas que frequentamos, foi o que observamos.
Na prática, conseguimos comprar mesmo assim: numa noite cerveja, na outra mojito e gin em lata, apenas conversando com os vendedores e saindo com as latas escondidas em sacos de papel. Não é algo com que se deva contar, e obviamente depende inteiramente da boa vontade de quem está atendendo.
Os extratos deixam isso documentado: no Shop Express Cy há compras às 23h23 (€ 19), 23h50 (€ 10,96) e 04h52 (€ 7,84) — as três dentro da janela em que a venda deveria estar bloqueada.
Traje de banho na rua é proibido — e isso vale até dentro do carro
Esta é a regra que mais pega turista desprevenido em Malta, e vale conhecer antes de embarcar: circular em via pública vestindo apenas traje de banho é infração.
Não é folclore nem etiqueta local. A justiça maltesa já confirmou publicamente que andar só de roupa de banho em áreas públicas configura infração criminal de menor gravidade segundo o direito penal do país, com os tribunais avaliando cada caso individualmente. E a fiscalização vem apertando: várias localidades instalaram placas com pictograma de biquíni e sunga riscados e o texto “swimwear prohibited in public areas”, em inglês e maltês — em Valletta, Sliema, Msida e partes de St. Julian’s, inclusive na própria orla das praias.
Vale também saber que topless e nudismo são proibidos em todas as praias públicas e piscinas de hotel em Malta, sem exceção para enseadas isoladas.
Na saída do Toy Room Beach Club, na quarta-feira, o motorista do Bolt nos pediu para colocar a camiseta antes de sair. O carro estava com as janelas fechadas e nós estávamos sentados dentro dele — mesmo assim, a preocupação dele era concreta: se a polícia visse passageiros sem camisa, ele poderia ser abordado.
Vale a ressalva: a regra que citei acima trata de áreas públicas, e o pedido dele não prova que ela alcance juridicamente o interior de um carro particular. Pode ter sido precaução dele, política da plataforma ou simples experiência de quem roda pela ilha todo dia. Seja qual for o motivo, o efeito prático é o mesmo: leve uma camiseta na mochila de praia, porque você pode precisar dela antes mesmo de pisar na calçada.
O que ficou de fora — e por dois motivos diferentes
Este roteiro tem lacunas evidentes, e elas têm duas explicações distintas.
Valletta, Mdina e a Popeye Village eu pulei por já conhecer — visitei os três em maio de 2022, na minha primeira ida a Malta. Preferi usar os 8 dias em lugares que ainda não tinha visto, daí a concentração em praias, no sudeste da ilha e em Comino.
Gozo é outra história: eu simplesmente nunca fui. Em três passagens por Malta — 2022, a escala do réveillon de 2026 e agora esta viagem — a ilha vizinha continua na lista. Esteve mais perto do que nunca desta vez, já que o passeio de barco que perdi por dormir demais incluía duas horas livres lá. É a lacuna que mais me incomoda deste relato.
Se é a sua primeira vez em Malta, não repita esse recorte. Os quatro são incontornáveis:
Bônus: Malta em maio de 2022, a primeira vez
Como boa parte deste relato se apoia no que eu já conhecia da ilha, faz sentido mostrar de onde vem esse conhecimento.
Minha primeira ida a Malta foi de 2 a 8 de maio de 2022. Fiquei hospedado na casa de uma amiga que mora na ilha — e que continua morando lá até hoje. Foi uma viagem de perfil completamente diferente desta: menos praia e balada, mais os cartões-postais clássicos.
A diferença não foi só de gosto. Em 2022 eu estava sozinho, e passei boa parte do tempo com essa amiga — que na época namorava e tinha uma rotina social diferente da minha. Em 2026 vim com amigos solteiros, e o roteiro naturalmente virou praia e festa. É o mesmo destino gerando duas viagens quase opostas, e vale ter isso em mente ao ler qualquer relato: metade do que se faz num lugar depende de com quem se está.
O que vi em 2022:
- Blue Grotto, dessa vez com o passeio de barco pelas grutas — que em 2026 eu perdi por chegar depois do horário das embarcações
- Popeye Village, em Anchor Bay
- Valletta, a capital
- Mdina, a antiga capital medieval murada
Maio é uma época bem diferente de agosto para conhecer Malta: temperatura mais amena, mar ainda frio para a maioria das pessoas, muito menos gente nos pontos turísticos e preços de hospedagem significativamente mais baixos. Se o seu objetivo é passeio histórico e caminhada, maio ganha de agosto com folga.
Clima: agosto em Malta é quente de verdade
Mesmo sendo o fim de agosto, o calor foi intenso durante toda a viagem — sem um único dia de trégua e sem chuva.
Isso tem consequências práticas que valem mais do que o número no termômetro:
- A festa do Café del Mar é a céu aberto e, mesmo começando às 20h, estava bem quente
- Golden Bay das 13h às 18h30 só é viável com guarda-sol — os € 5 não são luxo, são necessidade
- Dormir até meio-dia deixou de ser preguiça e virou estratégia: as horas entre 12h e 16h são as piores para qualquer coisa ao ar livre, e foi exatamente nesse padrão que a viagem inteira se encaixou
- A água do mar estava excelente em todos os pontos — Golden Bay, St. Peter’s Pool, Blue Grotto, Blue Lagoon e Crystal Lagoon
Transporte: Bolt, e por que talvez valesse alugar carro
Não alugamos carro em nenhum momento — usamos exclusivamente o Bolt (e o ônibus TD2/TD3 na chegada). As corridas eram pedidas em esquema de rodízio: cada hora um do grupo chamava.
| Dia | Trajeto | Total | Minha parte |
|---|---|---|---|
| 22/08 | Aeroporto → St. Julian's (ônibus TD3) | € 3,00 | € 3,00 |
| 23/08 | Hotel → Golden Bay | € 30,00 | € 10,00 |
| 23/08 | Golden Bay → Hotel | € 30,40 | € 10,13 |
| 23/08 | Hotel → Café del Mar (Qawra) | € 30,00 | € 10,00 |
| 24/08 | Café del Mar → Hotel (madrugada) | € 30,00 | € 10,00 |
| 24/08 | Hotel → St. Peter's Pool | € 30,00 | € 10,00 |
| 24/08 | St. Peter's → Marsaskala (van avulsa) | € 20,00 | € 6,67 |
| 24/08 | Marsaskala → Blue Grotto | € 15,00 | € 5,00 |
| 24/08 | Blue Grotto → Hotel (19h44–20h05) | € 18,30 | € 6,10 |
| 25/08 | Hotel → Sliema (ferry Comino) | € 11,90 | € 3,97 |
| 25/08 | Sliema → Hotel (após um Bolt cancelado de € 12,40) | ≈ € 12,40 | € 4,13 |
| 26/08 | Hotel → Toy Room Beach Club | € 12,00 | € 4,00 |
| 26/08 | Beach Club → Hotel | € 15,30 | € 5,10 |
| 27/08 | Hotel → praia em Sliema | € 8,30 | € 4,15 |
| 27/08 | St. Julian's → St. Paul's Bay (UMI) | € 19,40 | € 19,40 |
| 27/08 | Canifor Hotel → ASTE | € 19,90 | € 19,90 |
| 29/08 | St. Julian's → Aeroporto | € 16,00 | € 16,00 |
| Total | € 321,90 | € 147,55 |
Como as corridas eram pedidas em rodízio, o que efetivamente saiu do meu bolso foram € 165,20 — oito corridas de Bolt, o ônibus da chegada e o Bolt do último dia. A diferença para os € 147,55 da coluna acima é o que sobrou desbalanceado no rodízio, e é esse valor real que aparece na tabela de custos da seção 17.
O que diz a lei maltesa sobre dirigir e beber
Antes de decidir por carro ou app, vale conhecer os números — e eles são mais apertados do que a fama de Malta sugere.
Por muito tempo o país teve o limite mais alto da Europa, de 0,8 g/l, empatado com o Reino Unido. Isso mudou: hoje o limite é de 0,5 g/l de álcool no sangue (equivalente a 22 microgramas por 100 ml de ar expirado) para motoristas comuns.
| Categoria de motorista | Limite |
|---|---|
| Motorista comum | 0,5 g/l |
| Habilitação provisória (menos de 2 anos) e veículos comerciais | 0,2 g/l |
| Ônibus, vans e transporte de passageiros | 0,0 g/l — tolerância zero |
Para dar dimensão prática: segundo material de campanha divulgado por médicos ligados à segurança viária em Malta, duas doses padrão já colocam um homem de 70 kg no limite dos 0,5 g/l — e uma única dose basta para estourar o limite de 0,2 g/l aplicável a habilitação provisória e veículos comerciais. Para mulheres do mesmo peso, a tolerância é menor ainda.
A polícia tem autoridade para parar e aplicar o bafômetro em quem suspeitar estar acima do limite, com segundo teste na sede em caso de resultado positivo. As penalidades incluem suspensão da habilitação, pontos na carteira, multa e, em casos graves, pena privativa de liberdade.
Malta não tem uma "lei seca" no sentido brasileiro (tolerância zero de álcool para todo motorista). O limite é de 0,5 g/l, e ele é aferido no bafômetro — não é a mera ingestão que configura a infração.
O que existe, como descrito na seção anterior, é a restrição de horário para venda de bebida em mercadinhos — coisa completamente diferente, e que atinge o consumidor, não o motorista.
Na prática, para quem vai passar a noite em Paceville, a conta é simples: duas cervejas e você já está no limite. Não vale o risco.
Bolt × carro alugado: a conta que eu faria de novo
A decisão de não alugar carro foi tomada por um motivo específico: partimos do princípio de que beberíamos em todas as situações — o que, sendo honesto, não estava longe da verdade.
Mas em vários momentos da viagem voltamos a cogitar o aluguel, nem que fosse por um único dia. E revendo os números, a ideia se sustenta:
- O aluguel de carro em Malta é barato — bem mais barato do que o equivalente na Irlanda
- O Bolt também é barato em comparação com Dublin, mas o total do grupo chegou a € 321,90
- O esquema de motorista da rodada seria viável: em vários dias um de nós não estava bebendo, ou bebia uma ou duas cervejas que poderiam ser dispensadas — e, com o limite de 0,5 g/l, dispensar mesmo é a única opção segura
- Um carro teria resolvido situações específicas que o app complicou: a espera de 20 minutos em Marsaskala, o motorista que recusou a corrida na Blue Grotto, e a liberdade de encaixar uma quarta parada no Dia 3
Vale a pena considerar alugar um carro — sobretudo para os dias de roteiro espalhado, como o do sudeste da ilha. Um único dia de aluguel já resolveria St. Peter's Pool, Marsaskala e Blue Grotto com folga, e provavelmente por menos do que os € 83,30 que o grupo gastou de app naquele dia.
Dito isso, o Bolt também é uma excelente opção: cobertura ampla, inclusive nos pontos afastados, preço razoável e nenhuma preocupação com estacionamento, combustível ou com quem vai dirigir na volta da balada. As duas escolhas são defensáveis — o erro seria não fazer a conta.
Custos — os gráficos da viagem
O total da viagem foi de € 2.322,36, ou € 1.353,68 sem contar voos e hospedagem.
Gasto por dia
Gastos diários, sem voos e hospedagem. Total: € 1.353,68.
Gasto por categoria
Total: € 2.322,36.
Tabela completa por categoria
| Categoria | Total | % do total | Por dia (8 dias) |
|---|---|---|---|
| Hospedagem (7 noites + late checkout) | € 685,68 | 29,5% | ≈ € 97,95/noite |
| Festas, entradas e bebidas noturnas | € 431,14 | 18,6% | ≈ € 53,89/dia |
| Alimentação | € 386,23 | 16,6% | ≈ € 48,28/dia |
| Voos (Kiwi, ida e volta) | € 283,00 | 12,2% | — |
| Transporte (Bolt, táxis e ônibus) | € 165,20 | 7,1% | ≈ € 20,65/dia |
| Compras e outros (souvenirs, free shop, chinelos, mercadinho) | € 148,61 | 6,4% | — |
| Praia e beach club (cadeiras, cama, consumo) | € 130,00 | 5,6% | — |
| Passeios (Comino € 40 + dois ingressos perdidos € 52,50) | € 92,50 | 4,0% | — |
| Total da viagem | € 2.322,36 | 100% | ≈ € 290/dia |
| Total sem voos e hospedagem | € 1.353,68 | — | ≈ € 169/dia |
Tabela completa por dia
| Dia | Data | Principal responsável pelo valor | Gasto |
|---|---|---|---|
| Dia 1 | 22/08 (Sáb) | Rooftop + Toy Room (€ 87 entre entrada e pulseira) | € 131,70 |
| Dia 2 | 23/08 (Dom) | Café del Mar: € 50 de ingresso e € 87 de bebida · Havana € 64,30 | € 315,94 |
| Dia 3 | 24/08 (Seg) | Três praias de Bolt, pizza dividida e duas baladas baratas | € 83,53 |
| Dia 4 | 25/08 (Ter) | Os dois ingressos perdidos (€ 52,50) + o passeio novo + souvenirs | € 200,65 |
| Dia 5 | 26/08 (Qua) | Beach club completo (€ 111,50) + bebida de mercado + Footloose | € 205,29 |
| Dia 6 | 27/08 (Qui) | Jantar no UMI (€ 113) + € 47,60 de Bolt | € 253,03 |
| Dia 7 | 28/08 (Sex) | Dois pedidos de KFC pelo Wolt | € 53,37 |
| Dia 8 | 29/08 (Sáb) | Free shop do aeroporto (€ 82,17) + sorvete + Bolt | € 110,17 |
| Total | € 1.353,68 |
Festas e bebidas noturnas custaram € 431 — mais que a passagem aérea, e mais que alimentação. É a categoria que define o orçamento de Malta em agosto, e a que mais se pode cortar sem mudar a viagem.
O Dia 2 sozinho custou € 316, quase quatro vezes o Dia 3 (€ 84) — e os dois tiveram praia de dia e balada à noite. A diferença inteira está em onde se bebe: € 87 numa festa de beach club contra € 11,30 em duas casas de rua com cupom de pague 1 leve 2.
Hospedagem foi 30% do total, e quase metade disso veio das duas últimas noites sozinho: € 319,85 por 2 noites, contra € 268,33 por 4 noites dividindo o quarto triplo.
Galeria de fotos
Locais — preços e avaliações
Links úteis
Referências — legislação citada
- The Malta Independent on Sunday. Legal limit slashed, now let's enforce it — redução do limite de 80 mg/dl para 50 mg/dl, 20 mg/dl para habilitação provisória e veículos comerciais, e zero para ônibus e transporte de passageiros. independent.com.mt
- Newsbook. Caritas calls for random breathalyser testing — referência ao limite legal de 22 microgramas por 100 ml de ar expirado. newsbook.com.mt
- Angloinfo Malta. Penalties and Drink Driving — poder de fiscalização da polícia e penalidades aplicáveis. angloinfo.com
- The Malta Independent. Wearing nothing but swimwear in public is a minor criminal offence — posição do Ministério da Justiça de Malta. independent.com.mt
- GuideMeMalta. Maltese beach etiquette: the dos and don'ts — proibição de topless e nudismo nas praias públicas. guidememalta.com
Vale a pena — mas ajuste as expectativas de preço
Malta entrega exatamente o que promete: água cristalina em praias completamente diferentes entre si, uma vida noturna concentrada e intensa em Paceville, distâncias curtas que permitem três lugares no mesmo dia, e tudo isso a menos de 4 horas de voo de Dublin. Em oito dias eu nadei numa praia de areia, numa piscina natural de rocha, numa gruta funda sem acesso por terra, na Blue Lagoon e na Crystal Lagoon — e nenhuma delas se parecia com a outra.
Mas não é um destino barato. Ao contrário da Albânia, onde o custo-benefício é o argumento principal, em Malta você paga preço europeu por quase tudo: € 5,80 a cerveja, € 6,10 o refrigerante de 500 ml, € 160 a diária de um quarto single em agosto. O que salva o orçamento é dividir — quarto, corridas, contas de restaurante. Sozinho, a mesma viagem fica desproporcionalmente cara.
Se eu fizesse de novo, mudaria quatro coisas: alinharia as datas com o resto do grupo para não pagar diária de single, alugaria carro pelo menos no dia do roteiro do sudeste, finalmente conheceria Gozo, que já escapou três vezes e não compraria passeio com saída às 9h da manhã depois de uma noite em Paceville. O resto eu repetiria exatamente igual.
Categorias